Reflexões

#SomostodosFAP

Porque tanto ódio?

 Estava eu, aqui, sentada em meu sofá, pensando sobre Antônio Prado e as diversas vezes em que o município perdeu por causa da falta de iniciativa do poder público e das rixas políticas que impedem o nosso crescimento.

 Nós poderíamos ter tido uma estrada de ferro em nosso município. Isso, lá nos idos da década de 50, quando nosso prefeito era o Sr. Vicente Palombini. A justificativa para essa estrada, segundo contam os mais velhos e ainda vivos moradores da cidade, era a possibilidade de termos um batalhão do exército instalado aqui, o que geraria movimento no comércio de modo geral, a construção civil sairia ganhando, porque haveria necessidade de mais construções. Também seríamos uma cidade que abrigaria, provavelmente, um posto de carga para a produção de grãos. A história é pouco conhecida, acredito, e muitos, provavelmente, nem se lembram do ocorrido. Também não sei os motivos de não termos conseguido com que a passagem da estrada de ferro por aqui fosse concretizada.

 Só consigo contar o que ouvi das pessoas mais velhas e que viveram naquela época. E ainda tem a história da tão sonhada ponte que nos daria um acesso melhor à Caxias do Sul. Foram seis décadas - sessenta anos - de reivindicações. Existia, sem dúvida, a divergência política entre os municípios, mas também havia o interesse de pessoas que moravam na nossa cidade e não desejavam a construção da ponte. Tudo isso fez com que o projeto se arrastasse por tanto tempo e só foi finalizado, em sua construção, porque o Sr. Valdomiro Bocchese avalizou e forneceu material para pagamento futuro ao Estado. Uma ponte que, pela demora de sua construção, ganhou a notória alcunha de Ponte dos Suspiros. 

 Temos, assim, uma história feita de interesses políticos e pessoais contrários às necessidades da comunidade como um todo. Interesses que prejudicaram e prejudicam nosso desenvolvimento econômico. 

 Hoje, como não poderia ser diferente, visto que somos um município no qual o desejo de uns é prejudicial ao desejo de outros, e nunca se pensa no coletivo, temos mais um projeto de crescimento possivelmente perdido: A FAP - Faculdade de Antônio Prado. 

 Ainda sentada aqui, no meu sofá, penso no que esse projeto traria a todos nós. E não me refiro apenas aos estudantes que seriam beneficiados na questão financeira e de segurança, mas ao município como um todo. A vinda de outros estudantes para o município e professores, que poderiam escolher nossa cidade para morarem por quatro, seis anos, seria benéfico ao comércio com a venda de produtos e consequentemente o giro de capital, à construção, porque teriam que ser construídas moradias para oferecer aos novos habitantes, à indústria que teria possibilidade de contratação de mão de obra, aos hotéis que receberiam palestrantes e outros profissionais quando a faculdade fizesse algum evento aos seus alunos e à comunidade, aos restaurantes e por aí à fora. Não seríamos uma cidade gerando pobreza, mas uma cidade com riquezas por todos os lados.  Beneficiaria, inclusive, à UCS que poderia abrir parceria com a FAP. Quanto ao transporte, também não haveria perda alguma, pelo contrário. Poderíamos, inclusive, retomar o projeto do transporte público, que teve uma vida curta, com os ônibus para os bairros até a faculdade.

 Ainda me pergunto: vamos deixar mais um projeto escapar de nós? A quem interessa tanto atraso? Por que não somos uma comunidade unida? Não seria possível deixar as rixas políticas e pessoais de lado? 

 Não somos, definitivamente caranguejos como alguns dizem por aí, porque eles não andam para trás, andam de lado. Somos um povo desunido, invejoso, orgulhoso e cheio de más intenções.

 Aos dois empreendedores que tiveram a coragem de fazer esse projeto, meus parabéns, porque mostraram o quanto é possível fazermos por nossa cidade, quando estamos olhando para o futuro.

 Ficam duas perguntas que surgem nesse momento de reflexão: 

 A primeira, aos gestores de nosso município, visto que o prefeito de Ipê se propôs a fazer sem sequer “estudar” a possibilidade: será que é necessário, mesmo, pensar a respeito para implementar esse projeto?

 A segunda, para todos nós: não está na hora de mudarmos essa realidade de ressentimentos uns pelos outros?

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