Reflexões

Sobre os Sofomaniacos

Analfabetos funcionais cognitivos.

 Essa palavra chegou até mim através de um artigo do jornal Portal Raízes e, quando li o texto, entendi que é apenas outra maneira de dar nome às pessoas estúpidas, ignorantes, para os que pensam que sabem, para os intelectualóides que andam soltos por aí, para aqueles que não possuem fundamentos para defenderem suas ideias. Eu vou mais longe, coloco-os no percentual de analfabetos funcionais cognitivos.

 Como está escrito no artigo, também fiz um “mea culpa”, para ver se me enquadrava na descrição de sofomaníaca. Percebi que, no passado, tive meus deslizes. Nos últimos anos, no entanto, modifiquei meu comportamento, porque comecei a conviver com pessoas que questionavam meus posicionamentos com relação a inúmeros assuntos e queriam mais do que uma resposta emocional baseada apenas na minha visão de mundo. Comecei a ler mais livros sobre História, artigos de economia, política, religião, cultura. A busca por informações transformou minha vida, ampliou meu horizonte. Saí da minha bolha e me vi pertencente a um mundo muito maior do que o meu. Excluí amizades que, por discutirem como eu costumava fazer, deixaram de ser interessantes. Desde então, procuro por informações de todos os tipos, tento entender como os fatos estão interligados, afinal, é dessa maneira que se constrói conhecimento e, consequentemente, a possibilidade de cair no ridículo é menor. 

 Esse comportamento sofomaníaco ocorre com uma parcela considerável daqueles que usam as redes sociais para expressarem seus pensamentos. Acreditam em memes, aceitam apenas informações parciais que agradam ao próprio pensamento; divulgam e repassam qualquer tipo de notícia sem o menor constrangimento ou preocupação com a verdade. Estão mais interessados em ter razão do que em entender. Esses pseudo-intelectuais sofomaníacos, criam teorias da conspiração; acusam e culpam pelas mazelas da humanidade quem pensa de forma diferente de suas crenças; rotulam essas pessoas de vermelhos e comunistas, porque não querem sair de seus pedestais e de suas bolhas; criam ideologias que não existem; são fomentadores do ódio generalizado; têm medo do diferente, porque desconhecem os contextos e não se esforçam em aprender; distorcem informações. A ingenuidade dessas pessoas é tão acentuada que beira a burrice e, pior, comprovam isso na hora em que constroem uma frase com estruturas estranhas, incompletas e sem sentido ou com duplo sentido. Não sabem usar as palavras, acreditando que estão criando algum tipo de texto poético ou filosófico, até profético, sem, ao menos, terem lido um livro sequer sobre filosofia ou poesia. Desconhecem o mundo, a história dos povos, a ciência. Fora isso tudo, querem transformar os fatos em farsa, somente para agradar ao próprio ego e provar suas teorias absurdas.

 A Internet transformou as pessoas em esponjas que absorvem qualquer tipo de conteúdo sem o mínimo critério, porque a informação chega de forma rápida e em tempo real. E, assim como absorvem, se desfazem delas sem aprofundar coisa alguma. As informações entram e saem com rapidez em suas mentes e nada fica retido. Talvez, essas pessoas sempre tenham sido assim e a Internet deu voz e vez a essa superficialidade cognitiva. Diga-se de passagem, nem todos têm tempo suficiente para buscar outras fontes, logo, tudo o que visualizam aceitam como verdade absoluta. O que evidencia porquê são manipulados pelas notícias e viram massa de manobra.

 É inquestionável que temos direito à livre expressão, afinal, vivemos em uma democracia, pelo menos por enquanto. No entanto, dizer o que se pensa não é suficiente. É preciso aprender que pensamentos contrários são uma forma de crescimento e não uma afronta, uma ofensa, porque verdades são múltiplas. Bons argumentos não são construídos de forma emocional, baseados em crenças pessoais, em vidas medíocres, limítrofes e fora de contexto. Quem se apega a uma argumentação emocional só quer ter razão, porque ter razão é o que lhes dá prazer e satisfação. Os argumentadores emocionais são a comprovação do grande número de analfabetos funcionais que habitam esse país e, por consequência, o número de sofomaníacos com quem convivemos.

 Deveríamos ter mais cuidado com nossas publicações na Internet. Elas, sem dúvida, dizem quem somos.

 

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