Reflexões

Quem é o monstro que habita em nós

Nossas guerras diárias não nos dão trégua

 Vivemos em um tempo conturbado. Corremos contra o relógio, contra a semana, o mês, o ano. Ao final do dia, somos assombrados pelas tarefas que não cumprimos, pelas contas não pagas, pelos desafetos criados por divergências ou por inveja e a hora do sono torna-se um tormento. Nosso cérebro não dá descanso. Estamos tão cheios de problemas  que nós mesmos produzimos que não dormimos o suficiente. As noites são recheadas de pesadelos.

 Nossas guerras diárias não nos dão trégua e deixamos de aproveitar os momentos com a família, com os amigos, com nós mesmos. Os assuntos do quotidiano se transformam em desentendimentos. Escondemos e justificamos a existência de nossos monstros jogando a culpa  em fatores externos, nos colegas de trabalho, nos familiares, nas pessoas próximas, no destino, em Deus e, assim, de forma ingênua, acreditamos que somos perfeitos e esquecemos de olhar quem somos e no que nos transformamos.

 Existem muitos monstros em nossa vida. Um deles é o medo. O medo de não sermos aceitos, compreendidos, de estarmos certos, de nos faltar inteligência, beleza, agilidade, de estarmos velhos demais, de não termos experiência, de não conseguirmos alcançar nossos objetivos. Apenas um desses medos é capaz de criar obstáculos intransponíveis diante de qualquer situação. Porém, não percebemos que nossa essência é o verdadeiro e real monstro. No instante em que olhamos para nós mesmos, para nossos pensamentos, nossos sentimentos para com o próximo, nossas atitudes, nossas palavras verbalizadas ou escritas revelamos o que nos torna seres perigosos e destruidores.

 A fonte de nossos monstros se chama ego. Alguns o chamam de vaidade ou orgulho. O ego faz com que tenhamos a necessidade de ter o máximo possível de pessoas que nos apoiem, não porque estamos certos, mas porque desejamos vencer o nosso oponente, que, muitas vezes, nem sabe que está na nossa lista de pessoas odiadas. Dirigidos por nosso ego, manipulamos opiniões, dissimulamos, caluniamos, ofendemos, nos colocamos como vítimas, estabelecemos critérios de segregação por cor, escolaridade, ideologia, política, religião. Fechamos as portas para o diferente.

 Domar o mostro ego dentro de nós é uma tarefa diária, requer humildade para nos reconhecermos como seres que erram; tolerância para entendermos o posicionamento do outro, não como opositor, mas como alguém que pode nos ensinar pontos de vista que podem ter nos escapado; compaixão para nos colocarmos no lugar daquele que, do nosso ponto de vista, errou e que, em algum momento, poderemos errar também, ou seja, requer mudança de comportamento. É necessário termos um olhar mais crítico com nós mesmos.

 Se não formos capazes de domar esse monstro chamado ego, ele continuará a nos perturbar e a transformar, não apenas a nossa vida, mas a de quem nos cerca em um inferno. E o mundo continuará a ser insuportável, a convivência com nosso próximo cada dia mais difícil e nossos dias futuros em solidão.

 

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