Reflexões

Quais são os nossos valores?

Os valores humanos podem ser morais, éticos e religiosos.

 Essa é uma pergunta que surge, quando observo os comportamentos e a interação das pessoas diante de determinados fatos.

 Para esclarecer um pouco mais o assunto, os valores humanos podem ser morais, éticos e religiosos. Os morais afetam a conduta das pessoas, e os valores éticos são as regras estabelecidas para que haja a tão chamada boa convivência na sociedade. Há ainda, os valores religiosos que dizem respeito ao que é o bem e o mal, dentro da religião que cada um segue.

 O ser humano não nasceu, surgiu, ou foi criado para viver isolado. Desde sempre, uniu-se em grupos para conseguir sobreviver. A História nos mostra isso. Também nos mostra que sempre foram os grupos mais capazes à adaptação que sobreviveram. A questão é que evoluímos e não precisaria mais existir a necessidade de sobrepujar o outro para continuarmos vivos, por isso, durante esses milênios todos, criaram-se regras, que são chamadas de valores, e esses valores servem para a convivência dentro das famílias, das comunidades e de outros grupos distintos dos nossos.

 Diante dessas explicações, não há como divergir que existe uma ligação profunda entre todos os valores, justamente porque vivemos em sociedade e compartilhamos esses mesmos valores uns com os outros e eles servem, também, para nos adaptar em comunidades diferentes das nossas.

 Se separarmos esses valores, podemos perceber que o destaque fica para os valores éticos. Nossa sociedade está corrompida pelo chamado “jeitinho brasileiro”, ou a tão famosa “lei de Gerson.” Para tudo tentamos encontrar uma maneira de burlar a lei estabelecida, o tempo todo, sem nos preocuparmos com o bem estar dos outros, nem com as consequências que nossa atitude poderá trazer. Há a nítida sensação de que a lei foi feita para encontrarmos seus furos, um viés, uma lacuna, a fim de não sermos pegos por ela e conseguirmos sair ilesos diante de nossas faltas. Dessa forma, nos julgamos no direito de fazer falcatruas, desde as mais pequenas até as maiores, e justificamos nossa má atitude de maneira simplista: “se eu não fizer, outro fará”, “os outros também fazem” ou pior: “é normal e todos fazem.” Com essas desculpas, criamos uma sociedade aproveitadora, desregrada e, obviamente, sem ética.

 A falta de caráter passou a ser normal. Se você não for “esperto”, os outros “passam a perna” em você. O problema é muito mais complexo do que parece, passa pelo nosso primeiro contato com o mundo, que é a família. Por isso, disse antes, que os valores estão interligados. Os pais e mães tornaram-se a antítese do que foram no passado. Se antes eram rigorosos com relação ao nosso comportamento, hoje, são omissos e descompromissados em suas funções; dão liberdade geral para os filhos, porque não estão dispostos a serem incomodados; não conseguem sustentar uma negativa, quando a criança faz birra; preferem ver os filhos na rua do que ocuparem o tempo que estão juntos para dialogar e saber o que os filhos pensam sobre o mundo; delegam seus deveres aos outros: à creche, à escola, aos professores, mas nunca os assumem de fato.

 Por causa desse desconstrução familiar temos jovens sem condições de absorverem críticas, de praticarem a convivência com respeito ao outro, desconhecem limites, porque nunca os tiveram; estão emburrecidos como seres pensantes; ouvem sem conseguirem entender o discurso; não conseguem ver, nem analisar, uma situação de forma holística; acreditam que só possuem direitos; só participam de grupos que aceitam 100% de suas ideias; não toleram as diferenças e fazem “cara de paisagem” quando alguém quer lhes mostra outras opções, outros pensamentos e possibilidades. É uma geração que aceita respostas simplistas, não questiona e nem pensa em enxergar o cerne dos problemas que nos cercam e encontrar uma solução.

 Não é à toa que verificamos jovens afrontando a lei com seus carros de som, quebrando o patrimônio público, como bancos de praça, placas indicativas, pichando casas, desrespeitando professores, sujando as ruas com garrafas de cerveja, maltratando animais, como se isso fosse normal.

 A normatização do errado está em alta. Há um amontoado de pessoas agindo à margem da lei e atraindo para esses grupos aqueles que veem na facilidade de ganhos, sejam quais forem, uma maneira de atingir o topo, porque não há mais a noção dos valores morais e éticos.

 Pergunto: qual o nosso papel diante de todo esse caos? Como mudar a mentalidade dos que aí estão? Quando ergueremos nossa voz para que os valores retornem a nossa  família, a nossa comunidade e sejam respeitados por todos?

 

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