Reflexões

Os duros caminhos da educação

Tristes descaminhos

 Nesses tempos de crise política, econômica, moral a educação tornou – se elemento fundamental (alguma vez deixou de ser?) para tirar o mundo da beira do abismo em que se encontra. Mas e como anda o educar nos nossos dias? Como estão nossos alunos? E a saúde de nossos mestres? São questões essenciais e a resposta a estas perguntas diz muito sobre a realidade do mundo hoje. E não falo somente sobre a realidade brasileira. Ou alguém acha que a educação nos EUA é uma maravilha? Alunos metralhando colegas e professores. Ou no Japão? Que o digam os suicidas. A crise é séria e é global.

 Impossível não falar do professor ao tentar explicar os tristes descaminhos por onde anda a nossa educação. Os professores encontram – se acuados por um sistema que tem por principal resultado o número de aprovados e não a qualidade de quem se aprova. Os dados do PISA confirmam o que digo. Aos governos interessam os números. E pergunto, é possível quantificar o ser humano com números

 Observando a realidade dos países que estão acima de nós, me parece que não. Afinal, lá também existe crise e desilusão. Mas então os números não são importantes? Claro que são. Mas não podemos ficar apenas fixados neles. Eles são apenas mais um item na complexa equação da educação. O risco de ficarmos apenas atentos aos números é o de robotizarmos o ambiente escolar, desumanizarmos o educar. E assim vem aquelas propostas de cronometrar aulas, padronizar o educar. Como padronizar se cada professor é único? “Não sois máquina! Homens é o que sois” disse Charles Chaplin de maneira profética. O ambiente escolar é humano e, portanto, cheio de nuances e diferenças. Às vezes tem silêncio, noutras muito barulho. Às vezes tem sujeira, noutras tudo é limpinho. O grande problema disto tudo é que o grande agente, o grande ator no processo de educar nunca é ouvido, nem coadjuvante ele é. Entrega – se a busca de soluções aos burocratas, economistas e outros “istas” que de sala de aula só lembram da época na qual estudaram. Vamos ouvir os professores senhores gestores! Educar não é fácil.

 Outra questão importante, e que na verdade nos remete as questões discutidas no parágrafo anterior é a de que se realmente o grande gestor, o big brother mundial, quer realmente qualidade na educação? Existe espaço para todos no mundo atual? A sociedade contemporânea oferece empregos para todos? Um mundo harmonioso é o que se deseja? Lembram-se da fábula da cigarra e da formiga? O grande Raul Seixas dizia que a formiga trabalhava porque não sabia tocar. Aqui vemos uma visão de mundo. Que diabos! Esta é a realidade! Trabalhamos para o quê? Estudamos para quê? Podemos ter uma empresa limpinha, cheirosa e afundando, falindo... Qual é o sentido do educar? Satisfazer o cliente?

 O fato é que a educação é o único caminho para emancipar o homem. Desenvolvimento sem educação é criação de riquezas apenas para alguns privilegiados. Como mudar isso? Existe interesse nisso? A educação faz pensar? A resposta fica com você querido leitor...

Outras Imagens

Comentários