Reflexões

Oh Ana Júlia... Os desafios de ser pai de menina.

Nasceu uma guerreira

 No dia vinte e um de fevereiro nasceu minha filha Ana Júlia. Minha tão esperada menina. Foram meses de espera e de cuidados. Exames, viagens a Flores da Cunha, Caxias do Sul. Tudo para dar o melhor para a pequena que estava por vir. E que agora chegou. Como todos sabem, sou pai de dois meninos. Amados e queridos E agora me encontro diante do desafio de educar uma menina. Existe diferença? Parece que sim.

 Digo isso porque faz pouco tempo do oito de março, o Dia Internacional da Mulher. Impossível para um pai, com um mínimo de consciência, não perceber que a vida de uma menina é muito mais complicada que a de um menino. Principalmente numa sociedade machista como a nossa. De cara, me dei conta de uma coisa. Meus dois guris, pela questão de gênero, já nasceram empoderados. Homens nessa sociedade machista vão aonde querem. Óbvio, que meus filhos respeitam todos os gêneros, não são preconceituosos. O que quero dizer é que por serem homens, vão estar livres de várias situações pelas quais as mulheres passam. Então, sim! Educar uma mulher é diferente!

 Quando penso na Ana Júlia, lembro da Franciele, minha esposa e mãe dela. Por que digo isso? Porque a Franciele já nasceu empoderada, mesmo sem saber. A Fran brincar de boneca? Que nada! Arrancou a cabeça da primeira que ganhou para fazer de bola de futebol. Foi pioneira, junto com outras gurias, no futebol feminino em Antônio Prado. Óbvio que enfrentaram preconceitos. Assobios quando entravam em quadra. Mas lá estava ela. Valente e firme na sua postura. Aliás, vi poucos guris nessa minha vida jogarem melhor do que a Fran. Determinada e guerreira. Reza a lenda que estas qualidades vêm dos Contin. De onde saiu, eu não sei. O que sei é que na família da Fran ninguém ligou para o fato dela arrancar a cabeça de uma boneca para fazer de bola. Simplesmente não deram mais bonecas e sim bolas. Que atitude!

 E eu aqui preocupado em como empoderar a minha garota, acabei por me dar conta que ela tem um exemplo bem ao lado. O exemplo da mãe. O que eu espero? Bem, espero que a Ana Júlia cresça num mundo aonde não exista o assédio, a violência contra a mulher, com salários iguais aos dos homens, liberdade de escolha, sem feminicídio. 

 Como bem disse certa vez a filósofa Simone de Beauvoir “não se nasce mulher, torna-se mulher”. Minha Ana Júlia vai receber toda a educação em forma de livros, filmes, exemplos para tornar-se uma e enfrentar esse mundo que está aí. Nasceu Ana Júlia. Nasceu uma guerreira. 

 

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