Reflexões

Falar bonito faz diferença?

Seja mais cristão e humilde

 Quando estava na universidade, em meu curso de Letras, lembro de uma professora que nos ensinou sobre o problema que alunos da região nordeste tinham em falar corretamente ou em função da cultura italiana, ou por outros problemas e do respeito que deveríamos ter para com eles.

 Nos dias de hoje, nas redes sociais, costumamos rir dos erros de escrita cometidos por gente semi-alfabetizada. São erros toscos, sim, engraçados do nosso ponto de vista, porque nos consideramos intelectualizados e, por isso, superiores.

 Lembro de ter visto uma publicação no Facebook, ano passado, na época do Natal, sobre um funcionário público que escreveu em um canteiro a palavra felis, assim, escrita  com “s”.  Também lembro da repercussão negativa que esse erro ortográfico provocou nas pessoas. Ele foi ridicularizado e sua imagem como ser humano foi injuriada. A simples intenção de escrever uma mensagem de amor se desmanchou como neve ao sol, porque as pessoas extrapolaram nos adjetivos que usaram para defini-lo.

 Surpreendentemente, era Natal e não houve quem lembrasse, na ocasião, que Jesus não nasceu em meio aos homens de letras, mas junto aos simples. Também não nasceu em uma família rica, mas humilde, sem riquezas e ostentações, sem vocabulário requintado, mas com o coração grande o suficiente para recebê-lo com todo o amor e respeito que lhe cabia.

 Falar errado, escrever errado são possibilidades que podem acontecer a qualquer um. Percebe-se, nesse contexto, que há total falta de empatia para com as dificuldades e limitações do outro, como se fossem perfeitos o tempo todo, como se fossem os detentores da verdade absoluta do certo e do errado. Eu ouso chamar aos que agem dessa maneira de analfabetos emocionais.

 Não se enganem, todos nós caímos nesse erro de julgamento, vez ou outra, mas não é tarde para mudarmos nosso modo de agir. Acredito que estamos em evolução constante. E é isso que me motiva a continuar insistindo em certos tópicos como esse. Porque, como alguns sabem, sou espírita e entendo que existe a lei do retorno. No momento em que atiramos uma pedra, nos colocamos como o próximo alvo. Seremos apedrejados, em um amanhã que se encontra logo aí adiante.

 Falar errado, escrever errado não representa a índole, o caráter da pessoa. Se a mensagem escrita ou falada atingir o coração das pessoas, cumpriu o seu papel. De nada adianta sermos grandes oradores, se ao transmitir uma mensagem ela não tocar o outro. Palavras difíceis, frases bem estruturadas são vazias de conteúdo, quando aquele que a profere não tem as atitudes que tanto cobra dos outros. Agora, apontar o erro, fazer pouco caso, humilhar, isso demonstra o caráter de alguém. E não há religião que possa servir de tábua de salvação para quem não tem caráter.

 Um bom orador, um bom escritor, precisa de humildade e compaixão. Um bom orador, um bom escritor não critica o erro do outro em público, não despreza a falta de conhecimento ou de estudo do seu colega, nem ataca pela internet aquele que necessita de mais aprendizado. Pelo contrário, se coloca à disposição para apontar os caminhos, sem rebaixar o aprendiz, enaltecendo suas qualidades, auxiliando nas necessidades expostas seja na fala ou na escrita.

 Como disse minha professora, respeitar as dificuldades linguísticas significa entender a cultura daquele que está aprendendo e, principalmente, amar o ser em evolução.

 Se você não consegue fazer isso, sinto muito, mas o caminho que você escolheu será tortuoso. Então, faça a diferença no mundo em que vive. Seja mais cristão e humilde. Isso só vai tornar sua vida melhor.

 

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