Reflexões

Copa do Mundo 2018

O que podemos aprender com ela? Não sei se muito, pouco ou nada

 Estamos em ano eleitoral, mas o que importa é a Copa, a grande festa do futebol mundial. O que podemos aprender com ela? Não sei se muito, pouco ou nada.

 Até agora, percebi que o favoritismo é relativo. Não é diferente na vida. As grandes nações com seus grandes times mostram que sobra competência na economia e na política, mas falta empenho no futebol. (Será que compreendi errado?) Ao contrário dos países menos desenvolvidos, onde o futebol é a parte da cultura mais celebrada, mas falta competência na área político-econômica. Percebi que o brasileiro continua mal educado e machista, e que o respeito pelas mulheres continua em baixa, mas esse é outro assunto, para outra hora.

 Muitos acreditam que a diversão faz parte de nosso dia-a-dia assim como o cinema, a música, a ida à pizzaria, o passeio com a família; que o futebol é só mais uma maneira de passar o tempo. Não discordo dessa afirmativa. As pessoas têm necessidade de se livrar do estresse dos dias complicados, de aproveitarem a vida e o tempo para se sentirem melhor. Contudo, em um momento tão delicado como o nosso, com altas de preços, demissões, corrupção e tantas outras dificuldades, o que realmente importa?

 Na última Copa do Mundo de Futebol levamos sete gols da Alemanha. Estamos levando muitos outros gols em várias áreas. Somos perdedores na educação, na saúde, na segurança. Não é uma visão pessimista, apenas a análise da realidade do cenário que se apresenta no país, de como as coisas se acontecem ao nosso redor. Não aprendemos ao longo desses anos de exercício de voto, depois de um longo período de ditadura militar, porque elegemos consecutivamente aqueles que se perpetuaram no poder, e que nos mostram diariamente que importam-se apenas com as regalias, com o dinheiro e com o bem estar deles mesmos.

 Continuamos com salas de aula abarrotadas de crianças, escolas caindo aos pedaços, filas para atendimento médico, falta de medicamentos nos postos de saúde, hospitais sem recursos e sem aparelhos, profissionais da educação e da segurança sem condições de trabalho; o salário mínimo não chegará aos mil reais, mas a Copa ocupa todos os espaços dos jornais e telejornais. Não há preocupação em escutar o que os presidenciáveis têm para oferecer, de forma prática, com programas executáveis, a fim de sairmos dessa crise que nos foi imposta pela incompetência sucessiva dos que se mantiveram no poder com o nosso voto, diga-se de passagem, após os militares. O que tivemos foi apenas uma troca de regime. Não houve mudança visível. Não evoluímos. Também não há preocupação em estudarmos as propostas dos futuros deputados e senadores. Não há curiosidade em saber o que pensam sobre a reforma trabalhista, sobre o aborto, sobre a economia, a educação, a segurança, a saúde. A maioria da população nem lembra em quem votou e não me surpreenderia se os mesmos políticos cheios de processos na justiça continuarem no poder, depois de outubro. A fuga da realidade é o que todos procuram, porque não conseguem assumir que a culpa do que está aí, hoje, lhes pertence. O ponto de virada real e decisivo seria dar um basta a essa situação de “pão e circo”, começando pela importância que damos à Copa e à falta de critério na escolha daqueles que irão nos representar nos próximos anos.

 E, quando a Copa terminar, teremos conseguido melhorar como nação?

 

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