Reflexões

Conhecendo Michelle

A força da mulher, a força da família.

 Confesso que, quando soube que Michelle Obama iria lançar uma autobiografia (“Minha história”, editora Objetiva), “torci o nariz”, não por questões de gênero, mas por ela representar o poder dos EUA.

 Afinal, a realidade é que somos o “quintal” da casa dos ianques ou, pelo menos, nos deixamos manipular pelo poder maior dos EUA. Contudo, teve algo, uma força maior que me impeliu a adquirir o livro. Esse algo foi a luta de Michelle na defesa das minorias. 

 “Ainda não sei muito sobre os EUA, sobre a vida, sobre o que o futuro trará. Mas eu me conheço. Meu pai, Fraser, me ensinou a trabalhar duro, rir com frequência e cumprir com a minha palavra. Minha mãe, Marian, me ensinou a pensar com a minha própria cabeça e a usar a minha voz”. É assim que Michelle Obama começa a sua biografia. São muitas as referências aos seus pais e ao seu único irmão, Craig que sempre foi uma espécie de modelo para ela. Todos sempre levaram uma vida muito humilde num apartamento muito apertado no South Side, bairro tipicamente negro de Chicago. Aqui já aparecem muitas referências ao racismo nos EUA. Como uma vez em que o irmão foi preso por discutir com um policial. Motivo da discussão? O policial desconfiou do tênis bonito do rapaz, muito caro para ser de um negro. O fato é que os pais de Michelle os ensinaram a nunca baixar a cabeça e a enfrentar as situações. O pai de Michelle, Fraser, era funcionário público da prefeitura, cuidava da estação de tratamento de água da cidade. Morreu jovem, aos 55 anos. “É doloroso viver depois da morte de alguém. Às vezes, você sofre só de percorrer um corredor ou abrir a geladeira, calçar um par de meias ou escovar os dentes. A comida não tem gosto. O luto é solitário a esse ponto”. Pois foi a determinação deste pai que deu a Michelle e seu irmão a possiblidade do sucesso. Eles sempre moraram num apartamento apertado e alugado. Na adolescência Michelle perguntou ao pai porque não tinha uma casa própria. O pai respondeu de forma definitiva. Disse para a filha que a vida só lhe deu duas opções: ter uma casa própria ou investir nos filhos para que estes chegassem na universidade. “Escolhi o segundo caminho”, minha filha. Que lição e visão de vida deste pai.

 O fato é que tanto Michelle, como seu irmão, Craig aproveitaram a chance que o sacrifício dos pais oportunizou. Ela estudou em Princeton. E aqui a sua primeira impressão "Lembro-me estando chocada", ela afirma "por estudantes universitários que dirigem BMWs. Eu nunca conheci pais que dirigem BMWs." Ela terminou sua graduação em Harvard. É a terceira primeira – dama estadunidense com pós – graduação. Michelle formou-se advogada. Por sua competência foi trabalhar num grande escritório de advocacia. Era o direito corporativo. Teve grande sucesso. Mas suas raízes a chamavam para outro lugar, não estava feliz. Acabou abandonando tudo para trabalhar em ONGS que defendiam as minorias. Ia ganhar menos dinheiro, mas estaria mais feliz, disse ela.

 Ler a autobiografia de Michelle Obama me ensinou muito sobre a força da mulher, sobre a força da família. Enxerguei os EUA com outros olhos. Seu povo, independente da política externa de seus governos, é batalhador, sofrido e as marcas do preconceito ainda continuam vivas tanto lá como aqui. E se você estranhou que não falei do Barack Obama, já respondo, o livro é sobre a vida da Michelle, mulher cheia de poder. Finalizo com ela: “Sua história é o que você tem, o que sempre terá. É algo para se orgulhar”. 

 

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