Reflexões

A informação do medo

Somos bombardeados, dia após dia

 Quantas notícias boas você leu, hoje, que trouxeram alegria e motivação, que transformaram o seu dia, que fizeram você ter vontade de fazer algo bom por alguém? Uma, duas ou nenhuma? A pergunta faz sentido, visto que nos últimos anos, talvez décadas, mas principalmente nos dias atuais, por conta da rapidez com que recebemos as informações, o que as mídias mais veiculam são notícias que envolvem tragédias e corrupção. Somos bombardeados, dia após dia, com todo o tipo de violência. As manchetes, sempre contundentes, nos mostram uma humanidade cada vez mais desequilibrada nos valores morais e éticos.

 O acesso à informação é necessária, porque não vivemos em um mundo de faz de conta, porém, não se veem ações proativas, que amenizem a ansiedade com a qual temos que conviver, com tata ênfase quanto deveriam ter. As boas ações são enterradas nos cantos das páginas dos jornais, isso quando são noticiadas.

 Vivemos a informação do medo. Temos dificuldade em confiar nas pessoas, porque o que mais vemos são corruptos em cargos importantes e criminosos atuando como executores da lei, quando estes não estão trabalhando em favor de grandes corporações ou do próprio governo. Esta quebra de confiança e credibilidade no outro se estende desde os setores públicos e privados até o meio familiar. Olhamos o outro com desconfiança e desprezo, pela sua origem, cor e classe social.

 Toda esta informação do medo cria em nós uma expectativa negativa com relação ao nosso dia-a-dia. Estamos sempre esperando pelo próximo golpe, pelo próximo crime, pela próxima tragédia. Quanto mais lemos e ouvimos notícias deste tipo, mais nos sentimos desprotegidos. Aqueles que possuem poder aquisitivo cercam suas casas, colocam alarmes, cães de guarda, compram carros blindados ou armas na ilusão de estarem seguros. Nas redes sociais, a proliferação do medo é ainda pior, porque as informações repassadas nem sempre são verdadeiras o que gera desinformação e o ódio desnecessário que é causador de mais violência contra aqueles a quem nem conhecemos, contra os diferentes, contra uma sociedade na qual estamos inseridos.

 Há relatos maravilhosos de auxílio ao próximo, de iniciativas que promovem o bem-estar de portadores de necessidades especiais, de despoluição de rios, descobertas na área da pesquisa que encontram vacinas para doenças, novos medicamentos para prevenir, às vezes, curar diagnósticos considerados irreversíveis, movimentos que levam às comunidades distantes o acesso à saúde, à leitura, enfim, são inúmeras as possibilidades de podermos ler e ouvir o quanto a humanidade é capaz de superar dificuldades e mostrar que não precisamos ficar presos ao medo que a mídia lança contra nós, todos os dias.

 A importância de notícias positivas gera empatia em um mundo repleto de dificuldades em nos compadecermos com relação ao outro. Esta atitude empática vai contra o sistema em vigor, destoa das ideias daqueles que têm a intenção de dividir ainda mais a população em prol dos próprios interesses. Quanto mais nos engajarmos em ideias proativas, mais somos vistos como inadequados, como inimigos daqueles que estão cegos pela necessidade da violência e do medo.

 Nós ficamos subjugados ao culto da violência, e as soluções para problemas sérios são tratadas com leviandade, com planos de curto prazo e sem comprovação da efetividade das ações propostas. As notícias de cenas cruéis prendem o cidadão em uma cela, onde atitudes que suplantam o mal se mostram inalcançáveis. A exploração do medo pelas mídias e pelos governantes é a melhor forma de aprisionar o povo e mantê-lo apático. 

 A boa informação, aquela que liberta, transforma e cria empatia não tem lugar nem vez, porque é a arma mais eficaz no combate à ignorância e ao medo.

 

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